Cada vez mais claramente constato em meu consultório como psicanalista quantas pessoas nesse mundo tão desenvolvido são ainda muito preconceituosas diante dos que tropeçam na vida e caem.


   Elas carregam, por exemplo,  uma impressão desempoderadora  a respeito  daqueles e daquelas que apresentam algum sintoma de deficiência na saúde mental.


         A depressão, o suicídio, a angústia, a ansiedade e outros transtornos neurológicos, físicos,  que acaba excluindo pessoas e aumentando essa terrível dor, pois só conhece e sabe, quem sofre.  


         De forma empobrecida julgam a deficiência como algum escolha da malevolência, preguiça, burrice, negativismo pessoal,  falta de fé, “pessoa de mente bichada”, chegam a dizer.  

          Mas esse estado de consciência uma doença, que vai desde a mais leve, média até à mais alta gravidade. 

        Nesse contexto estou de peito aberto, apaixonado, feliz, inocente e aberto para a contribuição do setembro amarelo, por sua relevante mensagem de conscientização e de prevenção da família e da sociedade.


           O que pode melhorar?



                        O tabu do pensamento sobre o suicídio


       Mesmo com tanto chip, tanto avião mais rápido e mais barato, todo mundo quase chegando em excursão na lua, selfs e que tais, munidos de total possibilidade para obtermos as diversas informações, muitos continuam na idade da pedra em relação a isso, pois se sentem  desconfortáveis para falar sobre o suicídio e tentativa de suicídio.

          Por que essa escuridão permanece? Falta engajamento das famílias, das autoridades, das igrejas, instituições, enfim, da  maioria da população.

        É preciso ter em mente algum esclarecimento adequado a fim de poder ajudar quem precisa.


    Sem informação, pode acontecer que até alguém que amamos, que não podemos perder nem ver sofrendo, esteja vivenciando uma situação parecida sem coragem de pedir  ajuda.

       

       Precisamos demover e combater essa cegueira.


   A campanha do setembro amarelo visa conscientizar quantas pessoas for possível, minimizando o problema da desinformação pelo menos para em seguida  aumentar o seu engajamento.

    Embora a depressão não seja um complicador isolado, nem o único fator que contribui para aumentar as doenças que culminam em seu pior cenário em suicídio, a depressão tem sim um grande peso em direção a essa ladeira abaixo de na caminhada de uma pessoa.




                         A quebra e paradigmas



      O setembro amarelo proporciona expansão da consciência e abre caminhos para uma conversa franca, que empodera a personalidade coletiva sobre o tema.

    Pensando de forma limitante, muitos pais inadvertidamente acabam privando seus filhos desse conhecimento por talvez acharem que vão sentir-se incentivados a buscar esse caminho sem volta, apenas pelo fato de se tocar no tema do suicídio.

            Agindo dessa forma, com essa atitude, só fomentam a ignorância, o preconceito, o despreparo, o que pode ter efeito contrário ao que pretendem.


           Pela nossa percepção em consultório, quando a família fala em depressão e suicídio, acabamos dando um alerta a quem está próximo.

            Senão, esse indivíduo, no presente ou no futuro, pode trilhar jornada parecida e não saber se orientar nem ter a quem recorrer.

        O suicídio é uma solução, em geral, para aqueles que não vêm solução em mais nenhuma outra atitude, ele perdeu o sentido da própria vida e não sabe onde se defender por pura desorientação.

      Para acabar com a dor, cogita se suicidar em algum momento. Quando se coloca em pauta o tema, você acaba dando novas perspectivas a esse ente querido.

      
       Graças ao Setembro Amarelo a união da sociedade como um todo vem crescendo e sendo vital para a causa.

          Por mais delicado que seja, quando se toca nesse tema, estamos abrindo os olhos da população em geral.

        Lembremos ainda que muitas famílias escolhem não ver, não acreditar ou não assumir que isso acontece na própria casa e, tentam ignorar.

       Mas, sabemos bem que quando se identifica alguém nessa situação é possível reabilitá-lo e tratá-lo.



                                 Sinais


      A campanha do setembro amarelo divulga listas com alguns sinais que indicam o sofrimento interno de uma pessoa.

     Devemos ficar atentos a qualquer mudança em um estado comportamental da pessoa.

    É de suma importância não ignorar qualquer um deles, de modo a observar como o ente reage com:




                               Tristeza persistente


    
           Não é exatamente uma regra, mas a maioria dos casos de suicídio possuem vítimas com antecedentes bem depressivos.

         Vai se ver se ver que esse quadro havia se estendido longo tempo, sem que alguém parasse para dar a atenção requerida.

     Caso alguém se enquadre nesse quesito, tente se aproximar e entender o motivo. Às vezes, uma simples conversa já ajuda.




               Publicações e mensagens de cunho depressivo



         Quem chega nesse ponto de escolher o suicídio sempre dá sinais de que tem isso em mente.

     Como a internet é uma excelente ferramenta para alcançar as pessoas, podemos notar o teor de algumas publicações que fazem, por exemplo, fotos que publicam, passos que dão ali interagindo. 

     Assim, mensagens de desesperança, dor e tristeza profunda com bastante frequência refletem o que a pessoa guarda no coração.




                       Ideias sobre a morte



         Preste bastante atenção quando alguém manifestar ideias repetitivas sobre a morte. 

        Dizeres como “Eu queria morrer”, “Preferia estar morto” ou “quem dera tudo acabasse” costumam ser os mais comuns. 

             Com isso, jamais ignore essas falas ou deixe de levá-las a sério. Podem ser um pedido de ajuda bem disfarçado.




                        O que motiva o suicídio



         Claro, não existe apenas uma motivação que leve alguém ao suicídio.

           A depressão, em disparado. encabeça a lista de razões, embora nem todo depressivo recorra a esse trágico caminho.

      Aliás, esse é mais um tabu da sociedade: “todo depressivo é um suicida em potencial”.

           É, comprovadamente, um mito preconceituoso, visto que são questões bem independentes entre si.


            Em geral, esses indivíduos sofrem internamente e não sabem como solucionar esse problema. Sem mais opções, acabam tirando a própria vida para acabar com a dor que carregam.

       É quase um ato de coragem extrema ser capaz de contrariar o próprio instinto de sobrevivência.
Mas isso só é possível vencer quando vencermos a covardia de quem não se mobiliza para ajudar.


            Um dos principais levantes da campanha do setembro amarelo é trazer luz a essas questões e direcioná-las às famílias e à sociedade organizada.

            Precisamos de mais empatia, solidariedade, já que todos nós somos convidados a nos sensibilizar sobre o assunto.

         A solução se encontra na mobilização em ajudar e conduzir saudavelmente esse quadro.



                    O papel do setembro amarelo



          Criado pelo tradicional e valente Centro de Valorização da Vida, o CVV, o setembro amarelo é a forma de tocar em um assunto delicado.

               A campanha serve de alerta a uma mudança de patamar na perspectiva de quem sofre e de quem convive com isso. Essa campanha anual maravilhosa almeja:



                            Atingir a população




               Um problema assim tão grave de saúde pública, pode ser encarado mais de frente e até melhor solucionado quando um grupo cada vez maior se mobiliza nessa direção.

              Assim você municia com informação quem mais precisa dela, pois sabendo como o processo se desenvolve, uma pessoa, mesmo sendo alguém comum do povo, ganha poderes para salvar uma vida.



          Prestar apoio às vítimas do problema




          Em geral, as vítimas de depressão não encontram meios sadios de expressar a angústia que sentem.


       Com isso, gradativamente, acabam descontando em si próprios a dor que estão carregando.

        Com a ajuda da campanha, estes podem encontrar canais de abertura e por eles encontrar ajuda profissional.

      Até mesmo aqueles que costumam ser acessíveis, gratuitos como o próprio CVV ou públicos.

         I
          Incentivar a procura por ajuda especializada


          Vimos no acima exposto que um dos pontos principais é a solução efetiva, positiva, eficaz e eficiente do problema.


      Isso é cabalmente realizado por meio de terapeutas, psicólogos, psiquiatras, que junto com o paciente usarão técnicas disponíveis  ou soluções melhores para o problema.

     Dessa forma, é possível construir uma reabilitação revigorante, eficaz e firme. Isso evita que tenha recaídas e propicia avanços.


       Caso conheça alguém nesta condição ou desconfie de algo, ofereça o seu ombro amigo.

      Talvez esse alguém, que em geral é apenas alguém sofrido que  não consegue expressar ou não tem  como externar corretamente a sua dor, acaba numa roleta russa, descontando sempre em si mesmo por meio de mágoa, melancolia,  auto punição, auto rejeição, baixo estima , acreditando ser um caso perdido, mais um na multidão a se sentir uma pessoa sem chance, pois que para ela não tem alternativas.


            Mas tem sim. E muitas alternativas boas de cura.


        Não precisa fazer tanto mais do que ouvir, compreender, salientar o valor da pessoa, conversar,  de  preferência mais sobre a solução do que sobre o problema.


     Dessa forma, estará dando um passo bem seguro de bastante contribuição para essa pessoa, com seu ombro amigo e mãos estendidas. 

        Mais conforto a só em dividir o sentimento de angústia.


       Por fim, o incentive a buscar ajuda profissional, de preferência um profissional que não queira ser maior que Deus num processo de cura tão delicado como esse..

0 Comentários