Um mensageiro instantâneo ou comunicador instantâneo, também conhecido por IM (do inglês Instant Messaging), é uma aplicação que permite o envio e o recebimento de mensagens de texto em tempo real.


                  Faço uso integrado do MSN, WHATSAPP, TELEGRAN e INSTAGRAN. 


                     E foi assim que encontrei esse desabafo de uma pessoa-cliente com depressão, que atendi uma vez na clínica e aguardo que retorne para a segunda consulta:

                       “Não se assuste, tá tudo bem. Mas lá pelas 2h da manhã eu recebi uma visita inesperada do medo, da ansiedade e da insegurança.

                    Havia me deitado à meia noite e meia e consegui dormir só bem depois. Dormi menos de meia hora, creio.

                   E agora já são 5h30m da manhã e eu não consigo dormir; meus filhos logo se levantam para ir à escola.  

              Mas faz parte, às vezes, eu não prego os olhos durante a noite toda; outras, eu me fecho em casa e passo o dia todo dormindo, literalmente, sem falar com ninguém, sem beber ou comer, só dormindo. E se eu acordar, eu vou dormir outra vez.

                  Eu não como nada ou se como, como tudo à minha volta, às vezes, uma salada, às vezes, um pote de doce inteirinho.

                    O que sei  de valor nutricional foi pelo ralo; não se contam calorias a essa altura do campeonato, o que vier é lucro.

                   Quase sempre eu só me lembro de comer porque já cheguei ao extremo e estou passando mal.

                   Se eu tiver compromisso, eu acordo e desejo mais 5 minutos, esses 5 minutos duram mais tempo e tudo desanda com a agenda.

               Tudo na minha vida passou a ser feito com um esforço surreal, seja do mais básico, como higiene, até as obrigações.



             Que dirá sexo para o marido ou amor para os filhos, carinho para os animais de casa que tanto amo.

            Depressão não é preguiça e nem desculpa, depressão é luta! É uma luta de dentro para fora que ninguém ao redor consegue ver.

           O que eu tinha mais prazer em fazer, que fazia com que a vida pulsasse no meu rosto, hoje é apenas um esforço insuportável.

             Eu frequentemente me tranco no quarto, não vejo TV nem ouço rádio, não atendo telefone, nem à porta. Estou fechada para balanço, pois acho que me tornei do tamanho da minha dor.

            Virei invisível na minha própria casa. Parece que todos por aqui já se acostumaram comigo na retranca, de cara amassada e assim, quase gemendo olhando ao léu.

             Às vezes, eu tento manter as atividades, mas sempre parece que estou com uma tonelada nas costas e, sei que você nem imagina, é superdifícil para mim, mesmo tendo grande fé em Cristo, empregados incríveis, sentindo-me poderosa pela profissão, ter o amor da família e a compreensão do marido.

         Às vezes, no meio de tudo, o sufoco vira um alívio e acabo saindo melhor do que entrei. Eu agradeço por esses dias, dias lindos como esses depois que vim da nossa consulta.

          Mas são muito raros. 

      Tudo fica tão grande na depressão! Um vazio, uma angústia tão grande que a gente não sabe de onde vem, nem se conseguirá suportar.

           Tudo é tão grande na depressão, sabia?

          Há dias como hoje que não aguento o tranco e choro o tempo inteiro, embora seja a primeira vez que eu sinta existir alguém que me entende e esteja interessado em me ajudar sem julgamentos nem má vontade.

         Eu não aguento ver desabar o mundo que construí com tanto esforço, desabando assim pedacinho por pedacinho.

                Então choro um choro sufocado no travesseiro, na madrugada, provocado até por aquela cena do filme que fez a garganta embargar.


          Criamos estratégias para disfarçar a dor, não devíamos, mas nos acostumamos com a indiferença. Às vezes, eu consigo sorrir.


                   Dizem que depressivos não sorriem. Enganam-se. É um vazio, uma angústia tão grande que a gente não sabe de onde veio, mas a gente sorri e muito; às vezes, fazemos rir.


            Nós depressivas rimos muito quando vocês perguntam:

                 “Está tudo bem?”, quando a gente ouve que é frescura, falta de Deus ou que a pessoa é mal-amada, pois está há muito tempo solteira, etc. e tal.

     
                       A gente ri para tudo isso.


              Tudo é tão grande na depressão,  exatamente pelo vazio do nada ser maior ainda.

              Achava que era tristeza, mas é um nada exacerbado. 

                E nada é pior que tudo.

              O silêncio da mente é perturbador, mata e nos faz nos perder dentro de nós mesmos, sem direito à luz ou GPS para retornar.

          Sair desse labirinto assim fica infinitamente mais difícil e doloroso.

Perdemos coisas, oportunidades e principalmente pessoas, essas últimas saem com sangue. Mesmo que, pensando bem, talvez não seja tão ruim essa parte, olhando pelo ângulo do amor verdadeiro.


           Ainda guardo bem claro que, quem não vê nosso choro não merece ver nosso sorriso.

            Por mais que doa, por mais que percamos mil pessoas, precisamos acreditar: quem ficou é que vai fazer a diferença. Quem se foi, se vá numa boa, sem julgamentos.


               Aquele preparado para ouvir: “Eu matei alguém” ou “Eu sinto vontade de morrer”.


               Foi ai que parei e me lembrei de suas palavras nessa voz tão linda:


              “Familiares indispostas a dar apoio sempre vão dizer: Então, se você sente tudo isso, por que não pediu ajuda? Por que você não me falou?”


              É difícil pedir ajuda, porque, como eu disse, a gente se acostuma, não deveria, mas se acostuma com a dor. 

          Além disso, para pedir ajuda, primeiro deve reconhecer o problema. Mas a gente não vê o problema, logo não pede ajuda. Ou tem vergonha de pedir, pois pode ouvir: 


             “Você parece louca, sem Deus, amargurada, invejosa, credo.”


                     São tantas coisas que a sociedade impõe que nos encolhemos feito flor murcha antes de pedir ajuda e nos esquecemos de que, para cada pessoa, o mecanismo de enfrentamento é diferente.


                       É aí que entram em ação os sorrisos amarelos e vazios, os olhares ao léu de comiseração e julgamento; mas que só quem se importa conosco vai perceber:


                         – Está tudo bem?


                         – Está! – com um sorriso amarelo.

  
                      Está tudo bem! Porque é mais fácil falar “Está” do que: “Não, não está tudo bem, eu estou surtando, a minha cabeça está queimando, eu não sinto nada de bom, só dores e sofrimento.”

                  Estou há dias sem dormir direito, e olha que na última semana eu passei mais tempo na cama do que em qualquer outro cômodo, pedi licença no trabalho, faltei a compromissos, não fui ver o bebê da minha amiga que nasceu.

                Dói cada osso do meu corpo, cada músculo do meu corpo está tenso e isso me causa uma dor insuportável onde nem o mais potente dos analgésicos alivia.


                 Então, meu único remédio é fazer orações, para parar, nem que eu tivesse que morrer.


             Mais dolorido, porém, o que mais dói é a indiferença, aos poucos as pessoas deixam de ligar para a gente, de procurar, de abraçar e vão partindo como se fosse um brinquedo velho que já não serve mais, sem ao menos perguntar:


                   “Tudo bem?”


                   Algumas vão perceber e vão partir vendo a gente como problema; umas nem vão se importar; outras vão ficar já no início. Raríssimas vão ser aquelas que ficarão até o fim, estarão presentes nas nossas quedas e recaídas.

                 Dói ter medo de tudo ao nosso redor, dói ter medo de mim mesma. Porque sozinho ninguém aguenta essa dor por muito tempo.

                Eu não me lembro do dia em que eu acordei e tudo desabou na minha cabeça, o dia em que as pessoas que eu amava foram embora.

               Eu daria a vida para escrever outra história, mas eu não posso, a única coisa que eu posso é colocar uma vírgula e seguir em frente, com outro final, uns personagens a menos e um sorriso verdadeiro. 

           Porque ninguém precisa nem consegue passar por isso sozinho. Vim pedir mais uma vez a sua ajuda, meu amigo!

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