Ao que tudo indica, o Brasil seguirá liderando um ranking do qual não temos nenhum orgulho. Em 2018, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro concedeu 3.055 licenças por transtorno, depressão e esquizofrenia - número correspondente a 8% do quadro de professores do município.

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              A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), recentemente realizou pesquisa que coloca o Brasil na triste posição de líder em agressões contra professores e professoras.

               Há que se encontrar uma maneira de retornarmos aos bons tempos do respeito e carinho aos profissionais da educação.

              Hoje, no Brasil, quem mexe com crianças e adolescentes não têm guarida para se impor diante da agressividade que neófitos trazem da vida social e até da própria vida familiar em situação de violência doméstica.

               Docentes têm sido inclusive atacados por representantes dos governos, das igrejas, num discurso lamentável, aceito infelizmente de forma acrítica por grande parte da sociedade.

             O reflexo desse ataque é mostrado em números que revelam que 12,5% dos professores brasileiros relatam ter sofrido agressões verbais ou intimidação de alunos ao menos uma vez por semana.

            Além das agressões, as condições de trabalho dos docentes, como, por exemplo, a situação desses profissionais no Rio de Janeiro, em cujas escolas eles têm de conviver com conflitos armados e ameaças de estudantes, familiares e de membros da comunidade.

               O estresse a que são submetidos têm provocado uma onda de afastamento para tratamento de saúde. Em 2018, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro concedeu 3.055 licenças por transtorno, depressão e esquizofrenia - número correspondente a 8% do quadro de professores do município.

               Conforme o portal de bem viver https://www.greenme.com.br,  o programa da EBC, Radio Nacional Jovem, conversou com com o psicanalista Flávio Calile sobre essa pesquisa da OCDE. Na opinião dele:

              "O professor sofre muito com a violência, com calúnias, com descabidas difamações, até também com xingamentos e às vezes até com agressões. A própria pressão do ambiente de trabalho é uma violência contra ele. Entre os alunos mais jovens, nós temos aqueles que xingam o professor, aluno que pressiona ele por conta de nota. Então, é essa pressão moral mesmo, essa violência moral que os professores sofrem em sala de aula. E quando o professor não cede a essas questões ele acaba sofrendo violência física".


             Essa violência manifestada na escola tem origem em outros ambientes, sobretudo, na casa das crianças e dos jovens. Como existe desrespeito na família, ele é naturalizado e levado à escola como uma prática mediadora das relações.


              A diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Rosilene Corrêa, analisa que:

   
            "Nossa profissão é tão desvalorizada que alunos e pais se acham com pleno direito de nos agredir. O governo precisa entender que a violência vem de fora para dentro da escola e isso não muda com militarização".


                 No Distrito Federal, 97% dos professores da rede pública já presenciaram algum tipo de violência, sendo que 57% foram vítimas dela. Segundo o Sinpro-DF, cerca de 40% das agressões são cometidas pelos próprios alunos e 20%, pelos pais.


                 Algumas pessoas têm acreditado que o modelo de escola cívico-militar, proposto pelo governo federal, pode conter a onda de violência nas escolas. Inclusive, o presidente Jair Bolsonaro já assinou um decreto para criar 216 escolas nesse modelo até 2023.


              As regras para os estados e o DF aderirem ao modelo foram definidas nesse decreto, as quais têm sido rechaçadas pelos entes federativos, conforme está publicado na revista Veja.

                 A razão disso é que, como diz Corrêa, a violência não nasce na escola, mas chega até ela. Para contê-la é preciso que haja um programa complexo de combate efetivo às suas causas.



                                         Escola democratizada


                  O chefe da divisão de inovação e medição de progressos em educação da OCDE, Dirk Van Damme, tem uma outra visão sobre o resultado da pesquisa: "A escola hoje está mais aberta à sociedade. Os alunos levam para a aula seus problemas cotidianos", disse à BBC Brasil.


          Um dado revelado pela pesquisa é que, apesar dos problemas, os professores gostam do seu trabalho, mas "não se sentem apoiados e reconhecidos pela instituição escolar e se veem desconsiderados pela sociedade em geral", diz o levantamento da OCDE.

                   Van Damme destaca que a valorização dos profissionais é fundamental para o desenvolvimento dos sistemas educacionais. Isso passa por melhores condições de trabalho, melhores salários, melhoria na infraestrutura escolar, plano de carreira para o magistério, formação continuada.

             Dados do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDEs) da Presidência da República, referentes a junho de 2019, mostram que a remuneração média dos professores brasileiros é de pouco menos de R$ 1,9 mil por mês. Já a média salarial dos professores dos países da OCDE é de US$ 30 mil (cerca de R$ 68,2 mil - o equivalente a R$ 5,7 mil por mês), o triplo do valor pago pelo Brasil.

                  A OCDE menciona a relação dos países asiáticos com os professores, o que demonstra o êxito deles na pesquisa, já que na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice de violência aos professores é zero.

                   "Em países asiáticos, os professores possuem uma real autoridade pedagógica. Alunos e pais de estudantes não contestam suas decisões ou sanções", pontua Van Damme.

                   É triste constatar que temos poucas esperanças, já que no nosso horizonte a valorização em educação foi retirada da pauta das políticas públicas no Brasil com a PEC 55 - a PEC do congelamento dos gastos públicos em educação e saúde por 20 anos, aprovada em 2016.

               Mesmo com a mudança de governo, a PEC continua sendo levado a cabo, até mesmo porque o atual presidente, então deputado em 2016, votou favorável a ela.

                Em 2018, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro concedeu 3.055 licenças por transtorno, depressão e esquizofrenia - número correspondente a 8% do quadro de professores do município.
             
            Ao que tudo indica, o Brasil seguirá liderando um ranking do qual não temos nenhum orgulho.

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