Em você tendo boas intenções, vai chama-lo apenas de cristão, mas não pode colocar um rótulo nem classificá-lo  só de católico, nem de protestante, nem de pentecostal, de evangélico, ele não se enquadra nas atuais denominações, em absoluto.

                  Santo Agostinho é de todos esses seguimentos e, talvez, de nenhum ao mesmo tempo.
     
                  Esse Argelino  Aurelius Augustinus Hipponensis  nasceu no dia  13 de novembro de 354 d.C.,  em Tagaste e faleceu aos 28 de agosto de 430 d.C., em Hipona, Annaba, Argélia. O cristianismo alhures era bem menos dividido e por cima Agostinho, claro, estaria fixado por época e origem na Igreja Ortodoxa.

                  Ele é uma das pessoas mais ilustres da história da humanidade com o nome de Santo Agostinho, filho de Mônica. Foi um solteirão pecador inveterado e se converteu depois de muita oração, lágrimas e jejum de sua santa mãe pela sua salvação.

                   Ninguém falou tanto da felicidade e buscou entender a relação do homem consigo mesmo e com Deus, quanto Santo Agostinho.



"Não vês que somos viajantes?
E tu me perguntas:
Que é viajar?
Eu respondo com uma palavra: é avançar!
Experimentais isto em ti
Que nunca te satisfaças com aquilo que és
Para que sejas um dia aquilo que ainda não és.
Avança sempre! Não fiques parado no caminho." 

Santo Agostinho


                  O caminho que Santo Agostinho apresenta para ser percorrido pela alma humana em função da superação dos obstáculos à busca da felicidade, nem sempre são tão simples, como são revelados na história de vida do próprio homem  Agostinho e de todos os seres viventes nessa terra.

            Para ele, em seus escritos principalmente, essa felicidade é o  valor essencial da vida humana, por isso uma  preocupação insistente e constante da filosofia, sempre esteve no centro das discussões de pensadores em todos os tempos e lugares, dos mais diferentes ramos do conhecimento, desde a Antiguidade até os dias atuais.



A facilidade é abstenção do julgamento e expectativas 


         Toda questão filosófica de dualidade é fonte de conflito, como, por exemplo: a vida e a morte, o amor e o ódio, a ciência e a religião, a angústia, a dor, o sofrimento e o prazer, a riqueza e a pobreza, o conhecimento e a ignorância, o bem e o mal.

             Em certa medida, evoluir na resposta ao problema da busca humana por felicidade inclui não julgar nem dividir rigidamente as coisas e suas concepções.

           Cada pensador, a seu modo e ao longo da história de cada um na trajetória humana, expõe significados e conceitos sobre a felicidade de acordo com abordagens, técnicas, métodos e critérios diferentes, a fim de tentar explicar qual o verdadeiro sentido da vida e o papel que a felicidade desempenha na construção desse sentido.

          Ao contrário da noção humana, secular e temporal de felicidade, em cujo eixo essencial se evidencia na qualidade de alguns momentos passageiros, fugazes e fluidos, a ideia de Santo Agostinho apega-se à felicidade divina, ou seja, a felicidade obtida por meio da dimensão espiritual, sendo, dessa forma, uma felicidade eterna, naquilo que Agostinho chama de  “Cidade de Deus”.

          Neste sentido, então, o teólogo Agostinho e bispo de Hipona, propõe a felicidade a partir da ideia da “posse de Deus”, da ideia da sabedoria divina e da ideia de justa medida. 

           Noutras palavras, a posse de Deus é o fim a ser buscado pelo homem para a obtenção da felicidade, cujo método utilizado seria a sabedoria divina, e cujo princípio básico se consubstanciaria na justa medida das coisas, na frugalidade, ou seja, na moderação do gozo das coisas.

       Embora o discurso dele fizesse críticas à razão, Agostinho sempre, com destreza, se utilizou dela de forma competente e com extrema habilidade.

        A experiência pessoal e exterior de Deus descrita por ele, claro, é fundamental para quem quer ser feliz, na medida em que alguém é feliz quando obtém consciência da felicidade mediante a justa aceitação/entendimento das coisas do corpo e da alma.  

      A sabedoria divina, a qual, nos livros Agostinho, ensina a conquistar pela revelação divina do Espírito Santo na alma do homem, chegando-se, ao fim e com razoável certeza, à posse do divino, causa e efeito de toda a felicidade, que é plena e abundante, pois não é contingente, como a felicidade humana passageira, mas sim a eterna.

          Esse caminho a ser percorrido com facilidade e ealegria, não é a luta árdua contra os obstáculos a superar em busca da felicidade.

       A graça é benfazeja e libertadora, super simples assim para quem Deus escolheu e que também escolhe a Deus como seu Caminho, Verdade e Vida.

         São fatos revelados na história de vida do próprio Agostinho, cuja superação, dando-nos a medida exata, ocorreu em cinco etapas.

            O teólogo-filósofo-sociólogo, ponte entre a Antiguidade e a Idade Média, adverete que, acima de tudo, cabe ao ser humano assumir um lugar despretensioso cultivando o dom da humildade na condição de matéria prima necessária à consecução da felicidade e de ferramenta imprescindível à superação dos obstáculos que se lhe apresentam nesta caminhada épica/leve ao encontro da felicidade, seja a do agora seja a eterna.

        A primeira etapa se encontra na leitura das Sagradas Escrituras, que, em Agostinho, suscitou inúmeras dúvidas, condição sem a qual não se desencadearia o processo para aquisição da sabedoria.

             A segunda foi a adesão ao maniqueísmo, filosofia propalada pelo filósofo persa Maniqueu e que, mergulhado no entendimento dual do mundo, o dividia entre o bem e o mal (só havia preto ou branco, não havia matizes cinzentos entre eles).

                A terceira etapa foi a adesão à astrologia, que, contudo, fora deixada de lado quando Agostinho percebeu que os próprios astrólogos não conseguiam explicar de forma matemática e racional, seus fundamentos esotéricos.

         A quarta etapa, superada a astrologia, foi a adesão ao ceticismo, escola filosófica grega que durou até o início da Idade Média e que consistia na adoção da dúvida como método filosófico e científico.

              A quinta etapa foi, na verdade, a superação do ceticismo e a adesão ao neoplatonismo místico como fórmula necessária ao entendimento da felicidade plena.
Notemos: o papel do filósofo Plotino foi profundamente essencial.

          A filosofia agostiniana é toda voltada para a expansão do cristianismo e, embora seu discurso fizesse críticas à razão, dela se utilizou com extrema habilidade para conquistar fiéis naquele momento histórico.

            E a proposta de uma felicidade divinal, escatológica, fundada na teologia e argumentada na filosofia, influenciou deveras a Idade Média na Europa.

          Portanto, a questão da felicidade em Agostinho muda radicalmente de abordagem:

de uma visão mundana e hedonista para uma perspectiva que supre as carências teológicas dos que desejavam, à época, uma vida mística e ascética."

             Tudo que vem de Deus para nós fui naturalmente. É só se preparar, aprender a aprender e perceber.

0 Comentários