Fred Jorge e Roberto Carlos (foto minha autoria)



Em homenagem a tudo que Roberto Carlos representa para a história da música brasileira e para o empreendedorismo cultural nesse País, resolvi batucar umas palavras com bastante diversão. 


Talvez isso seja apenas um esboço de resposta à publicação do Portal IG carregando no fato de que de 4 cotas de patrocínio no valor de R$ 4,100 milhões, só se conseguiu vender 3 e que, por isso, a Globo ficou no prejuízo: 





Primeiro, que prejuízo? Se é um projeto que alcançou 75% de seu potencial de arrecadação, está ruim, mas está bom. Não cabe a palavra prejuízo, uma vez que com menos de 30% disso a Globo produziu o Especial na sua melhor qualidade.


O bom é sempre inimigo do ótimo. E o excesso de cobrança em cima de alguém que só conhece o sucesso como o Roberto, vê-lo ainda em forma, física, mental, espiritual, comercial e artisticamente, é uma glória nacional.  Quem dera o IG venda 75% de suas cotas de patrocínio. Quem dera eu vendesse em 2019  uma média de 75% do potencial de arrecadação dos meus projetos. Quem dera o Bolsonaro acertasse 75% de suas ações que tiveram que ser revogadas por falta de grau de assertividade.


Aquela velha e providencial frase de para-choque de caminhão “É fácil falar de mim, o difícil é ser eu” poderia ter sido facilmente escrita por esse empreendedor artístico muito bem sucedido que atende pelo nome de Roberto Carlos.


Nesse Brasil tão imensamente complicado em todas as suas épocas, prosperar assim como ele nesse negócio do show business inventando e reinventando há 5 décadas um lugar para ele e suas canções não é tarefa fácil.


Tenho orgulho de reconhecer por conta própria e desinteressadamente. Dou prova disso com milhões de contemporâneos que agradecem as canções que ele fez para nós. Sabem quantos tentaram e não passaram nem no ensaio geral do Carlos Imperial, Flávio Cavalcante, Bolinha, Chacrinha, Hebe Camargo, Silvio Santos?


E o alto índice de empresas na história do Brasil que fecham as portas antes de completar cinco anos de existência, que chega a 58%, segundo pesquisa do Sebrae, realizada em 2010?

Por conta de tanta dificuldade, admiro quen segue em frente, não se curva às dificuldades e se organiza de forma positiva, persistente e genial. Aliás, são seres humaninhos valiosos como Roberto Carlos que inspiram maior coragem e a criatividade nas pessoas caídas pelo caminho. Uma pesquisa da Endeavor/UNCTAD comprovou que 65% dos empreendedores inovadores se inspiraram em um caso de sucesso durante suas trajetórias.

Foi pensando nisso que a Endeavor Brasil, ONG que promove o empreendedorismo, realizou o Day 1, um evento para inspirar e incentivar novos empresários a sonharem grande. Claro que não é Roberto Carlos único referencial que possibilitam ao Brasil ter algo dando certo para mostrar como fonte de inspiração, mas ele é, de longe, um exemplo claro do que todos sonham ser.


O primeiro resultado está dentro da casa dele mesmo, na pessoa de seu incrível primogênito, que vimos nascer e crescer e para o qual torcemos que continue campeão nesse mundo; esse mundo que lhe deu dimensões diversas da visão para olhar as coisas, menos os olhos físicos, tão desnecessário muitos vezes quando comparado ao que deixamos de ver e de enxergar por causa deles. Olha o que Dudu Braga diz de si mesmo em sua propaganda:


“Palestrante, Apresentador de programas de Rádio e TV, Lider e Baterista da banda RC na Veia, um dos Fundadores da ONG Meninos do Morumbi e Colaborador nas Fundações Larama e Dorina Novill, conheça Dudu Braga, filho do rei Roberto Carlos.”



O encontro da Endeavor Brasil, de que vimos falando acima, reuniu cinco grandes empreendedores: Alexandre Costa, da Cacau Show; Eduardo Ourivio e Mário Chady, do Spoleto; Marcelo Alecrim, da Ale Combustíveis; e Sônia Hess, da Dudalina. Aparentemente nada a ver com o show business. Com certeza, as mentes brilhantes saberão aproximar as ideias e detectar a razão de tudo.


Utilizando o badalado método de storytelling, eles falaram de suas trajetórias, incluindo os momentos difíceis, e deram dicas valiosas para o sucesso, das quais, ai sim, desde menino o pai de Dudu é um belo exemplo. Eis as recomendações para empreendedores neófitos:


1. Trabalhe, trabalhe, trabalhe – todos os empreendedores de sucesso, sem exceção, dedicaram boas horas de sua juventude ao sucesso do negócio. Alexandre Costa, da Cacau Show, chegou a passar dias e noites fazendo ovos de páscoa numa cozinha emprestada. Já Marcelo Alecrim, da Ale Combustíveis, chegou a dormir nos seus postos de gasolina, com a atenção 100% voltada para o trabalho.


2. Aprenda com seus erros – acertar logo na primeira tentativa não é a regra. dDe Roberto, se autorizado fosse, teria infinitas citações de fracasso para contar. Coisas que só ele tem o direito de revelar. Algumas estão a céu aberto e é de conhecimento público, mas eu repetí-las não devo nem vou. Não quero pagar com ingratidão todo o bem que ele, Fred Jorge e Ivone Kassu me fizeram desde quando era menino de orfanato ou ex padre com filho no cólo. 


Mas a verdade é que aprender com os errros é uma coisa que Roberto Carlos ensina com sua própria história. O medo de errar tira de todos a coragem de tentar.


Também se conhece e muito se comenta sobre a rede Spoletto, empresa do ramo de alimentação fantástica, que esteve nesse evento de empreendedorismo, , que, surgiu, pasme, após os sócios Eduardo Ourivio e Mário Chady se darem mal com alguns restaurantes no Rio de Janeiro.


3. Vá atrás do sim, porque o não você já tem. Roberto Carlos andou a pé no começo, quebravam suas cançõs, diziam que ele era esquisito e tudo mais como está na canção da CANDINHA. tAMBÉM,  no comando da Dudalina, a maior exportadora de camisas do Brasil, Sonia Hess iniciou a fabricação de camisas femininas mesmo contra a vontade de alguns de seus sócios e se deu bem.


4. Tenha a coragem de correr riscos – o risco é a condição sine qua non para o crescimento de um negócio. Roberto é adorado por repetir coisas, é. Mas de quando em vez arrisca, tanto que o número de projetos seus e canções que ficaram pelo meio do caminho são ainfinitamente maiores do que as que venderam e subiram ao pódio. 


Belo exemplo. Para criar sua distribuidora de combustíveis, Marcelo Alecrim chegou a entregar ao banco todos os seus bens. Eduardo Ourivio e Mário Chady estavam totalmente sem dinheiro e acumulando prejuízo atrás de prejuízo quando decidiram arriscar tudo e partir para o ramo de franquias.


5. Lidere pelo exemplo – o fazer vale mais que o mandar fazer. Mostre a seus funcionários como você quer que as tarefas sejam executadas e deixe claro que o sucesso da empresa depende também deles. Roberto aprende línguas, treina a voz, aprende truques de representação, toca varios instrumentos, é o cara. 


E foi o que fez Marcelo Alecrim, na Ale Combustíveis. Quando sua empresa mudou a sede de Natal para Belo Horizonte, ele foi o primeiro a se mudar e matricular os filhos numa escola na capital mineira. Ao fazer isso, todos os diretores da companhia ficaram mais seguros para fazer o mesmo.

6. Sociedade em sintonia – negócios abertos em sociedade necessitam de uma sinergia grande entre os sócios para dar certo. Para Eduardo Ourivio e Mário Chady é importante que as partes tenham o mesmo foco e se complementem. “Sociedade de 1+1=2 não dá certo. Tem que ser 1+1=6”, dizem os fundadores do Spoleto. Isso aconteceu sempre com Roberto e Erasmo, Roberto e Marcos Lázaro, Roberto e Dody Sirena. Roberto e esse ai da foto, seu primeiro parceiro de negócios na gravadora CBS, Fred Jorge, com quem conheci e de quem aprendi a admirar o Roberto Carlos de sempre. Nisso se vão 56 anos de nossas vidas.



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