Bem nessa data querida chegamos aos 30 mil.
A você e ao Google, meu sincero agradecimento. E o sonho de aprender a fazer bem isso para fazer cada vez melhor. 


Sei bem que não se deve falar de si mesmo num blog.

Sei mais ainda que não se deve datar um post por aqui, mas hoje é dia 18 de janeiro de 2020.

Guarde essa data comigo, pelo amor de Deus.

Capivari, a cidade dos poetas, cravada na região do Alto da Sorocabana no interior de São Pau, claro, abriga um evento desde..... (não sei).

Mas é prá lá de 90 anos. Tá bom? Mais não digo, não digo e não digo porque també, como disse, não sei.

É o aniversário daquela que desde os anos 70 abriga-me em seu coração e a quem me refiro cordialmente como “mama”.

Dona Júlia Juliani Pai nasceu nessa data.

Acabo de ligar para ela e pedir para que permaneça por aqui rica e bonita com saúde mais 200 anos.

Mãe se você não tem e quer ter uma, peça a Deus. Ele dá. Para mim deu ela.

Percalços lindos e horrorosos já passamos, mas passamos juntos.

Se sou filho bom? Há controvérsias, mas só da oposição, os amigos permanecem calados porque nunca, talvez, tenha sido necessário dizer que não sou.

A primeira vez que percebi que ela me amava foi quando pegou minha roupa para lavar, em 1976.

Tendo ido para o seminário dos Sagrados Corações de Jesus e 
Maria estudar para padre, chegou julho, o mês de todo mundo ir pra casa de férias, mas eu não tinha para onde ir.

Assim que sai do orfanato fiquei uns anos bem bons num quarto emprestado pelos Dal Fabro. Saindo dali coloquei tudo nas costas e parti sem pensar que estava sendo e levando tudo que era e tinha.


Mama Júlia e Julinha em Piracicaba-SP.

                            
Ficamos só eu e o padre do plantão lá no seminário por 5 dias iniciais de julho. Meio sem graça, me abordou e perguntou se eu não ia para as férias.

Eu que achava que o seminário era meu lar, claro, levei um susto medonho e cai de costas. O mundo desmoronou de novo e não sabia como arranjar aquilo.

Assim o padre Luiz Mancilha Vilela (hoje arcebispo de Vitória) ligou para o vigário de Capivari, tirando a paz dele também.

Nada na vida é definitivo. Sendo provisório também o lar acolhedor de um seminário.

Atordoado tanto, não sei porque, se o padre tinha um casarão e morava sozinho, ele procurou a família de Julia e Henrique Piai, em cujo coração eu já tinha um lugar há muito.

Eles me acolheram na casa e no coração. As vezes era um lugar mais rígido do que o seminário por causa dos costumes italianos aos quais eu não tinha o menor costume. Rezar o terço todo toda noite, depois do Jornal Nacional. Dar satisfação de tudo, sempre, o tempo todo.



Fiquei íntimo da mama num tanto que confiamos um no outro a partir dali. Deu-me a oportunidade de mostrar quem eu era e de exercer na sala dela os primeiros atendimentos terapêuticos da minha vida ao atender pessoas, principalmente jovens em crise de ansiedade. Tanto que quando disse a ela que estava sendo terapeuta para não mofar os diplomas da área. E ela nem estranhou.

Enfim, mama também está no século 21, em mais um aniversário.

E pedimos a Deus que a acompanhe pelas estradas do mistério da vida, onde jamais poderemos acompanhar-nos uns aos outros.

Cada um sabe de si, quando sabe muito. E vai mais longe e feliz quando não se esquece disso.


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