Ainda menino acho, na adolescência, talvez, exagerando menos,  desenvolvi, como todo mundo da época, um profundo encanto pela invejável lucidez  desse poema. Foi lá pela década de 1970 em que todos de nossa geração nos 

deixamos levar pelo brilho interpretativo de textos em de Cid Moreira nas rádio no Brasil afora, 

narrando essa bela produção da gravadora Som Livre, o poema Desiderata, com lançamento em 

grande estilo no concorrido programa Fantástico, que ele mesmo apresentava com Sergio Chapelin.


Naquele tempo a versão usada foi a primeira tradução do inglês feita por Otávio Frias. E agora tem essa adaptação que segue, que ele gravou uma década depois na gravadora Comep das irmãs Paulinas


E no final dos anos 1990 gravamos juntos uma terceira adaptação que fizemos em estúdio dele a quatro mãos com exclusividade para a coleção Apocalipse da Gol Records.


Desiderata é uma palavra que deriva do latim e significa “coisas desejadas” ou, então, “aquilo que se deve desejar”.


Trata-se de um poema que foi encontrado num livro da Igreja de Saint Paul, em Baltimore, nos Estados Unidos.


Muitos na época atribuíram o texto a um autor anônimo e a data de sua publicação foi considerada por muitos como sendo em 1692.


Mas, o que melhor se sabe é que, no Desiderata é um poema do escritor americano Max Ehrmann (1872-1945), escrito em 1927.


O motivo da confusão é que em 1956 o poema foi inserido numa compilação de textos devocionais pelo sacerdote que na época presidia a Igreja de Saint Paul.


Na realidade, 1692 é o ano de fundação desta igreja.
Isso posto, pode conferir pessoalmente a seguir, o quanto que nada disso  em nada ofusca a grandiosidade da contribuição desse inconfundível poema:






O DESIDERATA

               


No meio do barulho e da agitação, caminhe tranquilo,
pensando na paz que você pode encontrar no silêncio.


Procure viver em harmonia com as pessoas
que estão ao seu redor, sem abrir mão da própria dignidade.


Fale a sua verdade, clara e mansamente.


Escute a verdade dos outros,


pois eles também têm a sua própria história.


Evite as pessoas agitadas e agressivas,


elas afligem o nosso espírito.


Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores


ou inferiores a você. Isso o tornaria superficial e amargo.


Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.


Conserve o interesse pelo seu trabalho, por mais humilde que seja.


Ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.


Seja prudente em tudo o que fizer,


porque o mundo está cheio de armadilhas.


Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Há muita gente lutando por nobres causas,


em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.


Seja você mesmo. Sobretudo, não simule afeição


e não transforme o amor numa brincadeira,


pois no meio de tanta aridez


ele é perene como a relva.


Aceite com carinho o conselho dos mais velhos


e seja compreensível com os impulsos inovadores da juventude.


Cultive a força do espírito e você estará preparado


para enfrentar as surpresas da sorte adversa.


Não se desespere com perigos imaginários.


Muitos temores têm a sua origem no cansaço e na solidão.


Ao lado de uma sadia disciplina, conserve para consigo mesmo,


uma imensa bondade.


Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores.


Você merece estar aqui.


E mesmo se você não pode perceber, a Terra e o universo


vão cumprindo o seu destino.


Procure, pois, estar em paz com Deus,


seja qual for o nome que você lhe der.


No meio dos seus trabalhos e aspirações,


na fatigante jornada pela vida, conserve,


no mais profundo do ser, a harmonia e a paz.


Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,


o mundo ainda é bonito.


Caminhe com cuidado e partilhe com os outros


a sua felicidade.



Faça tudo para ser feliz!              



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