A maravilhosa jessica Chastain em cena.


 O que um filme sobre a 2ª Guerra Mundial roteirizado por jovens pode nos ensinar? 


Sei lá... Não fosse a dor da pandemia, talvez, nada, ou quase nada...


Mas, fato é que a compaixão voltou à moda. Temos de novo a solidariedade no cardápio do restaurante da vida. O que pretendo fixar nessa edição  já foi sabiamente sintetizado por C.J. Tudor “quem somos nós além da soma de nossas experiências, das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Sem isso, não passamos de um conjunto de pele, ossos e casos sanguíneos". 


Tudor sabe das coisas, mas é apenas um jovem escritor inglês, nascido, criado e residente com a família em Salisbury. Seu amor pela escrita, especialmente pelo estilo sombrio.  


O Zoológico de Varsóvia não é sobre sofrimento, mas sim sobre o contato humano que precisamos para nos recuperar, juntos, de traumas impensáveis. É um filme sobre vitória e a tristeza que vem com ela. Conseguimos sobreviver a situações terríveis, mas a dor do que passamos estará sempre presente e não pode ser esquecida.


Inspiração para o filme O Zoológico de Varsóvia, lançado em 2017, a história de Jan e Antonina Zabinski é mais uma das sagas incessantes de pessoas que tiveram a coragem de desafiar as ocupações nazistas e proteger judeus das atrocidades do Führer.


Jan era o diretor do zoológico de Varsóvia, localizado na Polônia, mas também fazia parte da resistência polonesa contra os nazistas. Diante dos horrores dos nazistas, passou a usar sua influência como superintendente dos parques da cidade para passar comida, e depois de um tempo, judeus pelos guetos.

 

Antonina, por mais que soubesse do envolvimento de Jan com a resistência, não fazia ideia de todas as atividades do marido, que também contrabandeava armas, construía bombas e até envenenava carnes que seriam oferecidas aos soldados da SS.Baseado em fatos reais, o filme O Zoológico de Varsóvia conta a história de Jan e Antonina Zabinski, casal responsável por salvar a vida de mais de 300 judeus durante a segunda guerra mundial.


O filme começa contextualizando a vida de Antonina (Jessica Chastain) e Jan (Johan Heldenbergh), donos do Zoológico de Varsóvia, mostrando suas rotinas e o relacionamento com amigos alemães.



Dado início ao bombardeio de 1939, é proibida a entrada e saída da capital. Lutz (Daniel Brühl), proprietário do zoológico de Berlim, se torna amigo da família como ato de compaixão. Porém, sempre deixando claro o apoio ao nazismo e o interesse por Antonina.


Com a influência de Lutz, Jan se torna superintendente, tendo permissão para acessar o gueto de Varsóvia (local onde alemães obrigavam judeus a viver em terríveis condições), ato que desencadeou a vontade de ajudar judeus.


Posteriormente, os Zabinskis começam a socorrer e abrigar os judeus que vivem no gueto, afim de ajudá-los a se refugiarem para lugares em que a força nazista não fosse presente. Dentre eles Urszula (Shira Haas, de Nada Ortodoxa), judia que foi estuprada por soldados nazistas, criando um bloqueio pós traumático. No entanto, desconstruído durante a trama com a ajuda de Antonina, uma personagem bem maternal.


Cercados por nazistas durante o dia, Antonina utilizava música para se comunicar com os refugiados. Em suma, eles ficavam escondidos em jaulas vazias e túneis do zoológico.

 

Em 1944, enquanto lutava na Revolta Polonesa de Varsóvia, Jan acabou sendo ferido em combate e consequentemente preso em um campo de concentração pelos alemães. Todavia, Antonina e o filho deles, Ryszard, continuaram ajudando a comunidade judaica.

 

Eles usavam o zoológico como esconderijo para diversos judeus, abrigando-os em jaulas vazias, que estavam localizadas na própria casa deles, e túneis subterrâneos. Antonina usava música para se comunicar com os protegidos. Quando tocava uma canção específica, era o sinal de que havia nazistas por perto, outra indicava que eles já tinham ido embora.


O fim do nazismo


Com Jan desaparecido durante a revolta polonesa de Varsóvia, Antonina recorre a Lutz, afim de descobrir algo sobre o marido. Pressionada, assume a traição contra o Estado, só restando a opção de fuga. Na última cena, mostra-se o recomeço da história de Varsóvia, transparecendo a esperança de um novo futuro.

 


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 Curiosidades



 O Zoológico de Varsóvia funciona até hoje e é aberto para visitas;

 Antonina deu nome de animais para judeus para que pudessem se comunicar dentro do zoológico de modo que fosse imperceptível;

 De todos judeus ajudados, apenas dois morreram durante a guerra. Todos os outros conseguiram se refugiar e continuaram vivos após a guerra;

 Antonina sabia que seu marido era da resistência, mas não sabia de todas as práticas do movimento (Jan colocava veneno em carnes que eram servidas para nazistas, criava bombas, contrabandeava armas etc).

 


Os nazistas eram esquerdistas ou direitistas?

 

Parece que Hitler atirava para os dois lados, analisando a narrativa da história.


Hitler conquistou o poder absoluto ao – é o que acredita a maioria dos historiadores – incendiar o Reichstag para acusar os comunistas. 


Em seu regime, ser comunista era motivo para ser mandado para um campo de extermínio, mesmo destino que o dos judeus.

 

O antissemitismo, porém, não tem sinal. Historicamente, estava ligado a radicais religiosos, vistos como de direita. Mas o termo foi criado por um ateu anarquista descrevendo suas próprias ideias, o alemão Willhelm Marr (1819-1904), que achava que o capitalismo era uma conspiração dos judeus e que eles eram incompatíveis com as lutas dos trabalhadores. Marr se arrependeu no fim da vida. Mas, décadas após seus panfletos incendiários, os nazistas estavam defendendo basicamente essas ideias.

 

 Quem diz que o nazismo era de esquerda costuma se basear na parte econômica. E, de fato, o regime era totalmente avesso ao liberalismo econômico que hoje é visto como de direita – inclusive porque, para eles, Wall Street era uma conspiração de judeus. Membros do Partido se manifestaram abertamente contra valores “burgueses” – particularmente Goebbels.

 

Os nazistas toleravam a propriedade privada, mas também defendiam massiva intervenção do Estado na economia, com obras públicas para oferecer pleno emprego e um extensivo sistema de bem-estar social. Reservado aos “arianos”, claro.

 

Em sua origem, a ultradireita parece ter sido uma mutação da ultraesquerda. Mussolini começou sua carreira como um membro do Partido Socialista Italiano, que acabou expulso por defender a entrada do país na Primeira Guerra. Em 1919, Hitler participou da República Soviética da Bavária, um projeto comunista que naufragou em menos de um mês. Ambos saltaram do esquerdismo para o nacionalismo, e nunca foram políticos conservadores tradicionais. Eles queriam uma revolução, não reforma.

 

 Fechamos então que o nazismo era de esquerda? Alto lá! Economia não é tudo. Se tanto nazistas como comunistas acreditavam num Estado totalitário, uma reengenharia completa da sociedade, há que se perguntar qual era o objetivo final dessa empreita.

 

Comunistas acreditavam que sua “ditadura do proletariado” era a fase intermediária em direção ao comunismo em si, uma sociedade sem Estado ou classes sociais, onde todos trabalham pouco e não há especialização de funções – um sonho idêntico ao dos anarquistas.

 

Para nazistas, o totalitarismo não era fase, mas a utopia em si. Um Estado absoluto que guiaria a sociedade contra a corrupção amoral tanto do capitalismo quanto do marxismo. Com a eliminação dos elementos indesejáveis, a pureza genética levaria à raça perfeita, que criaria a civilização perfeita. Tão perfeita que o conflito de classes seria irrelevante: não importa sua condição social, todos seriam felizes sob o sol da suástica.

 

 Os dois socialismos, o nacional e o soviético, rejeitavam o liberalismo democrático como uma farsa. Mas o comunismo o fazia porque acreditava que o liberalismo havia falhado em manter sua promessa de igualdade. Quanto ao nazismo, rejeitava a igualdade por princípio: o que vale são os genes, algumas raças e países são melhores que outros. Há uma hierarquia natural e hereditária, vinda dos genes. No topo dela, o Führer, que representa o espírito do “povo”.

 

A rejeição da igualdade por princípio é reacionarismo no sentido mais tradicional. É um discurso parecido com o dos que defenderam o absolutismo. A separação mais clássica entre direita e esquerda vem da Revolução Francesa, quando nobres e o clero se sentaram à direita e plebeus, à esquerda na Assembleia dos Estados Gerais.

 

O nazismo então é “de direita”? Ou, já que é “de esquerda” em economia, seria “de centro”?

 

Nessa hora é melhor deixar a velha reguinha política de lado, a que se usa para separar amigos e inimigos no Facebook, e notar que muita coisa mudou desde os tempos da guilhotina. Não existe continuidade real entre comunistas e anarquistas, defensores da ditadura brasileira e neonazistas.

 

Nada impede alguém de ser a favor do aborto e da economia de mercado ao mesmo tempo. O próprio Hitler dizia que o nazismo não era nem de esquerda, nem de direita.

 

Uma opção é enxergar a opinião política num plano cartesiano, não vetor. É o que se faz nos sites politicalcompass.org e nolanchart.com, dividindo as opiniões entre esquerda e direita (econômica), libertarismo e autoritarismo. Hitler aparece no centrão em economia, mas no extremo da linha do autoritarismo.

 

Ainda assim, parece falho. Putin e Trump também são centristas autoritários. Seriam os três iguaizinhos?


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