Quem entra num teatro e sai do mesmo jeito, não entrou num teatro,  mas voltou para seu velho mundo e dali não sai.


O teatro é lugar de delicadas, longas e profundas viagens. Como naquela noite, minha, da Adriane, de um multidão que ovacionava Giselda Mauler e grande elenco no teatro do Jockey Club, entre o Jardim Botânico, Leblon e a Gávea no Rio de Janeiro. Geograficamente pouco antes da Rocinha, mas muito antes se perguntar ao público pagante daquele espetáculo eivado de nobres pagantes. 

Mas o tema é a protagonista. Vamos ficar nele?

A atriz Giselda Mauler é um carisma em pessoa. Como protagonista da peça "O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO”, ela mandou super ótimo.

Tanto que, claro, era já amiga nossa, cujo trabalho também já conhecia de ocasiões diversas.

Mas ali em silencio eu maldisse a TV Globo, maldisse a Record, maldisse o SBT, a Brodway, a Universal, a Disney, Hollywood, Marcelo Lafite cineasta amigo dela e meu – enfim maldisse geral que pudesse oferecer um papel para a incrível Giselda Mauler atuar feliz, vibrante, divertidamente, leve,  como foi naquele sábado inesquecível.

Giselda Mauler tinha que estar em todos os elencos formados e a se formarem. Duante de todas as câmeras, todos os holofotes, plateias, telespectadores, telões e telinhas.....  brilhando!!!!

Por que ela estava só ali na Gávea? Quem teve tão enorme visão de seu talento e grandeza?

Mas, voltemos ao normal.

Primeiro porque ator que é ator foca no teatro, aprende, investe, vive ali independente de grana, holofotes, revistas e reconhecimentos. Não topa tudo por fama nem pra ser celebridade, mas para exercer a sua arte.

Temos esse tipo de gente dentro de casa. Agora e no passado. Somos assim desde que nhô Fermino tocava gaita e dançava com a cara cheia de cachaça nas ruas e praças da interiorana  Monte Mór. Fazia tudo anônimo e despretensioso, de graça, pelo prazer de que pessoas soubessem que ele tinha graça e amor.

Giselda brilha em lugar mais nobre, enfim. 

Coisas do teatro, morô? O teatro dá vida à vida das pessoas. Sim, lá dentro se você for o artista, você viaja interpretando, se você for da equipe você viaja produzindo coisas, vendo o escuro virar luz, o silencio virar som e a musica arrancar emoções. Se você  for da plateia você se inclui no festival de vibrações onde o coletivo transmuta o nada em tudo, o insignificante em retratos e canções, a solidão em amor em vida, o egoísmo em abraços e sorrisos.

O teatro não é lugar de fingir, mas de representar. Não é lugar de se esconder mas de se revelar pela máscara, pelo inconsciente coletivo que é mais que uma soma dos coletivos individuais, é a multiplicação deles em zilhões de imaginações, em viagens ilustradas pelo sonho de ser porque o ter ficou muito aquém desse além insofismável.

Giselda Mauler brilha nesse lugar. Ela dá valor a estar ali, a se produzir, a se entregar e a colocar uma outra pessoa na sua pessoa e a andar em caminhos nunca dantes navegado.

Atriz entra sabendo que na plateia tem gente de todo tipo. Tem gente buscando distração, tem gente buscando atração, tem gente trazendo sedução, tem gente buscando sedução, tem gente campeando prazer e tem gente ali porque foi atrás de alguém.

Atriz veste a calcinha certa de que aquilo é vai visto de alguma forma. E pelo sutiã verão o biquinho de seus seios que nem precisam ser mostrados. Pela voz, pelo olhar, pelo mexer do corpo, pelas curvas escondidas no figurino as pessoas vão procurar nela mais o que não podem encontrar do que aquilo que ela estiver intencionalmente mostrando.

A voz de Giselda encanta, não a mim somente, mas a quem  souber ouvi-la com a voz do coração, com a voz sensorial, com o corpo da procura de entender até o fim a mensagem que alguém que dita uma proposta silaba por silaba.

Estive ali agraciado por bom tempo, agregado ca Capital Carioca ao grupo de teatro, arte, cinema e tv oriundo de Volta Redonda, uma prospera cidade no interior do Estado do Rio. Fui batizado pelos Medina Celli, a psicóloga e artista plástica Adriane e seu inseparável amigo de infância cineasta Marcelo Lafite, diretor de vários sucessos.

Mas ali, naquela noite de 18 de abril de 2014, na última apresentação da temporada trouxe a magia do encanto dela pelo palco, pelas pessoas, pela generosidade de viver um personagem capaz de vender uma ideia transformadora, pois o enredo girou em torno do que ela mesma resumiu no Facebook e lá está até os dias atuais:

"Uma nova cabeça, um novo olhar.

E vamos embora ouvindo as palavras que nossa estrela disse e deixou publico para sempre em seu perfil no FB: "Um prazer trabalhar com vcs, elenco e equipe ! Bjs". 

Ela só não ouviu quando todos responderam: "Nós também te amamos, gostosa". Mas nós a amamos. E ela é saborosa no palco. Bis, por favor.

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