O isolamento social mostrou algo fantástico para os chamados workaholic  (Trabalhador compulsivo ou workaholic é uma pessoa que trabalha compulsivamente. Enquanto que o termo geralmente implica uma pessoa que gosta de seu trabalho, ele também pode implicar que ela simplesmente se sente obrigada a fazê-lo).

O tema deles sempre foi repetir em coro"não posso parar", mas na pandemia pararam. 

Passar algum tempo sem fazer nada sempre ajudou muito pessoas que trabalham com criação, artistas e até o mercado financeiro que diz que "quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro". Claro ganha dinheiro quem põe os outros para trabalhar para ele a fim de não precisar trabalhar para os outros.

 Vimos como para muitos viver o ócio foi uma das principais dificuldades durante o isolamento social. Por que? A coisa mais complicada é estar consigo mesmo, ficar parado, submeter-se ao próprio silencio por falta de autoestima.

Colocar uma roupa bonita para ficar em casa, ou fazer uma maquiagem para encarar o home office ou as tarefas domésticas tem sido um dos principais assuntos entre as influenciadoras. 

É importante, no entanto, que as pessoas consigam se arrumar minimamente, pois o autocuidado também é fundamental para a saúde mental, mas que isso não vire uma cobrança a mais.

Neste momento, em algum lugar da internet, há uma live que convida para a prática de yoga, outra que ensina uma receita incrível até para quem não sabe cozinhar, um tutorial de como customizar um shorts jeans em casa, a blogueira que diz que esse é o melhor momento para desengavetar projetos e aproveitar o “tempo livre” do isolamento social.

 Como se já não bastasse o estresse coletivo de vivenciar uma pandemia, há ainda um bombardeio que convida o tempo inteiro à produtividade. Para muitos, este era o golpe que faltava para colocar a autoestima em xeque.

 Vivenciar a quarentena fez com que as pessoas se olhassem mais e percebessem coisas que não viam durante a correria do dia a dia. Por não haver uma rotina estabelecida de fora para dentro, elas sentem que não conseguem produzir o quanto deveriam.

Isso é crucial, pois a autoestima da população brasileira está atrelada ao quanto se é produtivo.

 

Será que o isolamento fez as pessoas entenderem que precisam de um espaço de escuta?


Claro que sim.

 Aumentou muito a procura por terapia a partir desse momento, porque quando eu não posso me organizar pelo que eu faço, preciso me organizar pelo que eu sou e as pessoas se dão conta de que não sabem quem são elas mesmas. 

Autoestima vem do autoconhecimento. Simples assim. Ser, fazer para ter. O ter agora voltou ao seu devido terceiro lugar.

 


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